sexta-feira, 6 de junho de 2014

Uma história de amor



A adolescência é uma fase tão engraçada, né? E ao mesmo tempo tão cruel, tão apaixonante, tão trágica, e extremamente intensa. Digo isso pois ontem presenciei uma cena, dessas que toda menina vive um dia na vida e (nossa!) meu coração partiu só de ver. Claro que hoje, com a cabeça de 21, entendo o porquê de tudo ser assim e as razões para deixar isso acontecer. Mas dói assistir de fora e mais madura, uma situação que eu e muitas garotas viveram quando eram mais novas.
Foi aquela cena épica de volta da escola, no auge dos 15, 16 anos, a garota de franjinha de lado carregando aquele peso de mochila com livros e cadernos, afinal ela é estudiosa. O garoto, por outro lado, naquele típico estilo largado, com boné de aba reta, chicletinho incessante na boca, rei da galera descolada e a cara do desinteresse estampada no rosto. Claro, um caderno só na mão, sem caneta nem nada; Muito menos o cavalheirismo de levar a mochila da mocinha, uma coisa que ele aprenderá no alto dos seus 23 anos. 
A história era a mesma, a garota devia ser apaixonada por ele, mandar mensagens e ficar a tarde inteira fazendo planos sobre o seu futuro romântico e apaixonado. Já ele, provavelmente se trancaria no quarto e passaria horas e horas vidrado no video game. Ou chamaria a galera para uma "pelada", chegaria a noite em casa e dormiria até o outro dia; É fato que não teria um minuto para pensar nela. 
Mas a cena que eu vi foi a garota tentando fazê-lo entender o quanto era importante na vida dela, com mãos explicativas e tudo mais. Já o garoto ouvia quieto e desinteressado o discurso dela, afinal aquilo pouco importava pra ele. Final da história: Ela foi embora, limpando as lágrimas que ele brotara em seu rosto. Ele foi embora, mascando seu chicletinho e dando de ombros. 

A minha vontade, agora madura, com a mente aberta, coração recuperado e amado como merece, era de ir lá e falar: "Linda, valorize-se! Dá um trato no visual, fique linda e estude! Pra um dia ele te olhar em algum cargo bacana, muito bem resolvida pessoal e financeiramente, e não entender bulhufas do que você falar!! E se sentir, claro, muito burro! Burro de ignorante e de ter te perdido"

Já que não podia falar, me calei. Mas fiquei com o coração partido em ver que ela ainda levaria um tempo pra entender que aquilo era desnecessário. E que ela chegaria em casa e choraria litros por um cara que, daqui alguns anos, dará desgosto só de pensar. 


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