quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O Castigo da Realidade


Meu primeiro choque com a realidade foi no primeiro ano do ensino fundamental, no auge dos meus 7 anos. O mundo rosa da Barbie ou os contos da Disney continuaram fazendo a minha cabeça, mas depois de iniciar minha vida acadêmica, alguns contos de fada deram vez à realidade em que vivi. 
De primeiro momento, me assustei um pouco afinal se era uma escola, por quê as paredes eram verde musgo, nada atrativa para uma criança? Ou por quê existiam grades de ferro nas janelas e portas de autoridades, se não oferecíamos perigo algum? Até hoje não encontrei respostas para as minhas perguntas. Mas é, era assim a escola pública, tão temida pelos pequenos burgueses. Ah, tantas vezes ouvi gente dizer que "Se não se comportasse, iria para a escola pública!" como se fosse algum tipo de castigo. E se era mesmo, por quê eu tinha que pagar por isso? Não cometi crime algum, meus pais sempre foram trabalhadores honestos, pessoas de bem, que pagam impostos e utilizam dos seus direitos. Ah, já sei! Utilizar serviço público, principalmente nos ramos da saúde e educação neste país é um castigo, só pode ser. 
Eu poderia desmentir o que muita gente acha ou defender com unhas e dentes a escola em que estudei. Mas não sou hipócrita e no tutorial da verdade nua e crua, devo dizer que faltou professores, faltou autoridades, faltou aprendizado, faltou merenda, faltou respeito dos colegas... É claro que existem exceções e durante minha trajetória, tive professores incríveis que mereciam ser valorizados. No entanto, não faltou lições de vida. 
Tive colegas que não tinham o que comer em casa e iam para escola apenas para garantir a barriga cheia naquele dia; Ou colegas que tinham antecedentes criminais na família e várias razões para seguir o mundo do crime, mas persistiam nos estudos; Uns tinham pais com problemas de drogas e eram criados pelos avós, que mesmo com idades avançadas, faziam o esforço de acompanhar a rotina do estudante. Eu tive um aprendizado que nenhuma escola, sendo ela pública ou particular ensinará, o aprendizado da vida. Aprendi a dar valor nas pequenas coisas, como os meus brinquedos na época. Ah, quantas meninas sonhavam ter aquela boneca que eu nem ligava muito! Aprendi a ver que a vida ia muito além do meu mundinho de sonhos e que, se algum dia eu quisesse ver mudanças, teria que partir de mim, tal como compartilhar minhas canetas coloridas com os coleguinhas que tinham só um toquinho de lápis para escrever.
Hoje estou cursando a faculdade de Jornalismo, fazendo o que gosto, mas uma formação eu já tenho: A da vida real, aquela que a gente só aprende quando abre a mente, pára de sentir pena das pessoas e começa a lutar, de igual pra igual, para as coisas melhorarem algum dia. Tanto pra gente, quanto pra elas. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Deixe um comentário!